Uma análise geral sobre o fim das gaiolas para poedeiras  

Após anos de discussão sobre compromissos da obtenção de ovos livres de gaiolas, finalmente chegou o ano crucial. Com menos de 12 meses restantes para os supermercados cumprirem seus compromissos em vender apenas ovos de galinhas livres de gaiolas em toda a Europa, tem havido uma disputa considerável por posição, já que os clientes buscam garantir que a oferta corresponda à demanda.

Liderando esta discussão, o Reino Unido tem buscado fazer grandes mudanças em termos de bem-estar, muitas vezes impulsionadas por grupos de defesa dos animais ou como parte de compromissos firmados pelos varejistas. Em toda a Europa, as proibições de gaiolas já estão em vigor em países como Luxemburgo, Suíça e Áustria. Já na Alemanha, as proibições devem ser introduzidas até 2026, na República Tcheca até 2027 e na Eslováquia até 2030.

Faz uma década que os supermercados britânicos concordaram em parar de vender ovos de galinhas em gaiolas até 2025, e desde então, houve muitas declarações deste progresso durante este período.

O Grupo Aldi anunciou que havia cumprido sua promessa de 100% em vender ovos livres de gaiolas, cumprindo o compromisso há mais de um ano antes da data prevista, juntando-se a empresas como Sainsbury’s, Waitrose e M&S na conclusão desta mudança. Segundo declarações da British Hen Welfare Trust (BHWT) em novembro de 2024, as empresas Tesco, Lidl e Asda ainda permanecem comprometidas em ser livres de gaiolas tanto em ovos com casca quanto nos ingredientes até 2025.

A indústria está, sem dúvida, avançando no caminho para a conversão total entre sistemas. Novos números do DEFRA (Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais) localizado no Reino Unido, publicou que a produção de ovos de sistemas alternativos dobrou entre 2022 e 2023, indo para 121 milhões de dúzias, enquanto a produção de gaiolas enriquecidas caiu quase pela metade nos últimos cinco anos, indo para 213 milhões de dúzias. A criação ao ar livre compõe confortavelmente a maior parte da produção hoje, com 555 milhões de dúzias.

Há uma forte fiscalização sobre os varejistas e sua capacidade de cumprir suas promessas realizadas. Tendo dito que só estocaria ovos obtidos de sistemas caipiras até o final de 2024, em outubro de 2023, a Lidl pareceu mudar as regras ao declarar, que compraria de uma nova instalação no Reino Unido, no qual seria administrada pela fazenda Griffiths Family Farms, em que seguiria o modelo holandês da empresa Kipster (produtora de ovos e frangos), no qual afirma produzir ovos de galinhas com maior grau de bem-estar e ecologicamente corretos.

A Morrisons, uma das primeiras redes de supermercados sediada na Inglaterra, começou a produzir ovos com casca sem gaiolas quando mudou para 100% para aves caipiras em 2022. Além disso, a empresa relata que também será 100% livre de gaiolas em seus ingredientes e processamento até 2025. 

A questão em torno do preço também vem sendo avaliada, principalmente porque o custo da produção de ovos está aumentando constantemente. Os números oficiais do governo mostram que os preços dos ovos na granja, no terceiro trimestre de 2024, apresentaram um aumento de 5,4%, em relação ao mesmo período de 2023.

Mesmo com todas as possíveis dificuldades, a Compassion in World Farming (CIWF) uma organização em defesa do bem-estar animal, sediada em países como Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, Holanda, França, entre outros, possui uma ferramenta chamada EggTrack que apresenta de forma pública como as empresas estão se saindo perante a transição para galinhas poedeiras livres de gaiolas. Segundo o relatório, das 40 empresas que relataram realizar um compromisso, quase metade (19) estão descritas como “líderes” que já são livres de gaiolas, tendo dentro desta lista grandes nomes como Burger King, Compass, Greggs, M&S, McDonald’s, Sainsbury’s, The Co-op e Waitrose. Listadas como estando a caminho para atingir 100% até 2025 estão mais sete empresas, sendo elas: Bakkavor, Booker, LJ Fairburn, Noble Foods, Tesco, The Big Table e Whitbread.

A CIWF ainda destaca que 11 empresas que estão “em risco” de perder o prazo por terem feito menos de 80% de transição em uma ou ambas as categorias de ovos com casca e ingredientes, ou não estão relatando ou não se comprometeram com ambas as categorias, entre elas: Asda, Iceland, Lidl e Morrisons. Finalmente, três empresas, Greene King, One Stop e Spar UK são definidas como “retardatárias”, ou seja, não relataram seus avanços ou ficaram para trás com seus compromissos.

Ainda, segundo a CIWF, o Reino Unido está bem à frente de outros países da União Europeia quando se trata da transição para a criação de galinhas poedeiras livres de gaiolas, com 77% do mercado de ovos já tendo feito a transição. Outros países são a França (70%), Itália (66%), Espanha (33%) e Polônia (30%).

Apesar desses sinais de progresso, a CIWF e outros grupos de bem-estar animal continuam a pressionar por uma legislação para apoiar a mudança para o sistema sem gaiolas. No final de novembro, a CIWF, apoiada por empresas alimentícias, escreveu uma carta, incluindo empresas como Waitrose, Greggs, Co-op, M&S e Morrisons endereçada ao secretário de estado do DEFRA, Steve Reed, apoiando uma iniciativa para proibir a instalação de novos sistemas de gaiolas imediatamente e eliminar gradualmente todos os sistemas de gaiolas existentes para galinhas poedeiras até o final do seu atual mandato, que encerrou no mês de julho de 2024. A CIWF ainda encomendou uma pesquisa na qual 67% dos consumidores ficariam felizes em pagar aproximadamente 6 centavos de Euro a mais para que todas as galinhas do Reino Unido fossem livres de gaiolas.

Segundo Anthony Field, chefe da CIWF, fica claro que o público e a indústria apoiam a proibição do uso de gaiolas para galinhas poedeiras, mas o governo está ficando para trás em seu cumprimento. Field ainda completa que os governantes precisam agir implementando uma proibição imediata da instalação de novos sistemas de gaiolas e uma eliminação gradual dos sistemas de gaiolas existentes para galinhas poedeiras até 2028. À medida que 2025 avança, todos os olhos estarão voltados para as empresas que cumprirão seus compromissos, e haverá muita análise sobre aquelas que não o fizerem.

Fonte: Adaptado Poultry News, 2025. Disponível em: https://www.poultrynews.co.uk/production/analysis-the-end-of-the-cage.html?utm_campaign=Poultry%20News%20Thursday%20Newsletter%20-%20070125&utm_content=&utm_term=https%3A%2F%2Fwww.poultrynews.co.uk%2Fproduction%2Fanalysis-the-end-of-the cage.html&utm_medium=email&utm_source=Poultry%20Business%20Poultry%20News

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe: